sábado, 17 de julho de 2010

Seleta de Acervo do Gantois será lançado no dia22 de julho

No próximo dia 22 de julho, a partir das 19hs, o Terreiro de Mãe Menininha do Gantois, na Bahia, lançará o livro Seleta de Acervo – Memorial Mãe Menininha do Gantois. O projeto foi criado com a intenção de ampliar é dar continuidade às ações dinamizadoras da Instituição e de preservação de bens patrimoniais e imateriais, tomando como referência as tradições afro-brasileiras na Bahia. Mãe Menininha foi um marco da historiografia do candomblé na Bahia, no Brasil e no mundo. A Diretoria de Museus possui convênio de cooperação com o Memorial e apoia o evento.



O conceito é de uma obra museológica, com traço histórico e voltado para salvaguarda da memória e do patrimônio material e imaterial da religiosidade do candomblé, especificamente sobre o legado deixado por Mãe Menininha. Exemplo de matriarca da religião, sacerdotisa de conduta irreparável no culto aos Orixás. Teve uma vida devotada à religião, deixando ensinamentos maravilhosos, pois era dotada de uma sabedoria ímpar. A história do Candomblé sempre foi uma história de lutas e resistência. Lutas para vencer os preconceitos que envolvem a religião, e muita perseverança e trabalho para conseguir determinar, com respeito, seu espaço junto aos seus fiéis, admiradores e a sociedade como todo. E a Casa do Gantois, que este ano completa 161 anos de fundação, intensamente acompanhou esse processo histórico e contribui para preservar suas tradições.




O PROJETO - A Seleta de Acervo do Memorial Mãe Menininha do Gantois é uma idealização de Mãe Carmen, Iyalorixá que há 8 anos está à frente do terreiro, sucedendo sua mãe, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, mais conhecida como Mãe Menininha do Gantois. E surgiu com a intenção de ampliar o quadro de ações dinamizadoras da Instituição. O primeiro passo foi verificar o acervo do Memorial e constatar as necessidades do espaço museal. Com isso, identificou-se a necessidade de fazer um registro histórico, de caráter museológica, que tratasse exatamente do acervo existente, afinal são peças que fazem parte de toda uma memória afrodescendente.





“Uma das minhas grandes preocupações é promover ações que resultem tanto em trabalhos sociais, como culturais, pensando na acessibilidade que deve ser dada ao público em relação a ações desta natureza”, afirma Carmen. Sabemos que o Brasil é, praticamente, um dos poucos redutos que preserva e mantém viva a religiosidade do candomblé, visto que do outro lado do Atlântico as manifestações e tradições estão ficando esquecidas ou sendo extintas. Logo, a realização de um projeto desse conteúdo vem reforçar uma cultura que ficou sob a responsabilidade dos seus descendentes, complementa a Iyalorixá.




RESUMO - O acervo do Memorial contém mais de 500 peças, num estilo característico de coleção aberta, dividida três núcleos expositivos: o espaço da mulher, Maria Escolástica; o espaço da sacerdotisa, Mãe Menininha, e a ambientação do seu aposento. Sua coleção está classificada em: mobiliário, imaginária, indumentária, objetos de uso pessoal, atributos, louça, documentos e fotografias. Para a Seleta, cerca de 170 peças foram selecionadas, fotografadas e na sua maioria retratam o contexto da religiosidade, a exemplo: indumentárias, ferramentas de Orixás, fios de conta, panos da costa, dentre outras.


O projeto foi idealizado por Mãe Carmem, que é filha de Mãe Menininha e atual Iyalorixá do Gantois. Para a seleção, produção e montagem do projeto Mãe Carmem e o Gantois contaram com um dos mais importantes antropólogos do país - Professor Raul Lody, que também é amigo da Casa e profundo conhecedor das relações Brasil-África, além de se dedicar ao universo antropológico e museológico da cultura negra no Brasil.